Difícil mesmo deve ser sair da redação. Sem saber se volta. E, se voltar, inteiro.
Me inspiro numa oficina comandada pelo Jornalista Luis Antônio Araújo na Famecos em 15/05 do ano corrente para imaginar esse que, certamente, é um dos pontos chaves da carreira de um Jornalista: desbravar o mundo das Guerras, cuidando de sua segurança, ao mesmo tempo que busca o melhor ângulo para uma foto, uma entrevista com um nativo, o máximo de detalhes para lançar o melhor material possível, talvez até atravessando os limites amassados e rasgados de um simples Jornal (vide o livro "Binladenistão - Um Repórter Brasileiro na Região mais Perigosa do Mundo", do próprio Araújo). Emoção e sentimentos não se encaixam no estilo deveras conservador de uma reportagem, portanto é obrigatório esquecer todo e qualquer sentimento que um Robô não teria. Faça isso, faça assim, faça assado. E é feito. Equipamentos roubados e problemas diplomáticos viram meros detalhes.
Um outro ponto importantíssimo nas coberturas de Guerra é o cunho histórico que elas podem ganhar (e em geral ganham). Somos todas pessoas tão distantes desse conceito histórico que, quando passamos a fazer parte disso, não sentimos. Você não sente a história acontecendo até fazer parte dela. Pessoas histéricas na Praça Tahrir são barulhentas e chamativas o suficiente para ganhar documentários livros e exposição. O Jornalista, que vai pra lá para cobrir, interferindo o mínimo possível nos eventos, falha - felizmente, diga-se - e vira peça de museu, com tanto valor quanto um vaso da época de Alexandre, o Grande. Falha por que se somou às multidões, inchou as fotos, ocupou um espaço que ficaria vazio. Nunca foi tão bom falhar.
Vitor Fazio
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