Então, assumimos nossa incompetência, pois. "Vamos ter opiniões, mas não claramente" deve ter dito algum chefe de redação, em algum lugar do passado, quando percebeu o quão utópico é ser plenamente imparcial. Mas isso já foi levado longe demais: algumas publicações ignoram a parte do "mas não claramente" e passaram a chamar seus pensamentos de "linhas editoriais", uma falácia. Ser uma publicação de direita ou de esquerda virou uma questão "editorial". Publicar ou não uma notícia virou uma questão "editorial". Usar verbos mais incisivos em uma matéria e mais brandos em outra virou uma questão "editorial". A cor da roupa da secretária virou uma questão "editorial".
A verdade, porém, é uma questão que deve estar acima de qualquer desculpa "editorial", e a imparcialidade tem um compromisso com a veracidade dos acontecimentos. Fatos são fatos para todos, independentemente de "linhas editorias". Usar "pontos de vista" para escrever uma reportagem é uma maneira sutil de romper esse contrato que o Jornalismo (tenta) cumprir com a verdade e a imparcialidade.
Vitor Fazio
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